O Festival Atsa será encerrado nesta quinta-feira (23) na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima. Iniciado no último dia 18, o evento reuniu indígenas, pesquisadores, visitantes e representantes de instituições públicas e privadas em uma celebração dedicada à cultura, à memória e à identidade do povo Puyanawa.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam apresentações culturais, cantos tradicionais, rituais, cerimônias espirituais com ayahuasca, rodas de conversa e atividades voltadas ao fortalecimento dos saberes ancestrais, da espiritualidade e da valorização dos povos indígenas da Amazônia.
Um dos símbolos do festival é a caiçuma de macaxeira, conhecida como atsa, bebida tradicional compartilhada entre indígenas e visitantes. Além da programação cultural, quem participa do evento também pode conhecer as belezas naturais da aldeia, cercada por floresta preservada, com destaque para o campo de futebol de areia branca e um igarapé de águas escuras e geladas.
Outro destaque desta edição é a história do belga Laurent Van Eesbeeck, que participa do Festival Atsa pela sétima vez. Ele conheceu a comunidade em 2017 e, desde então, criou uma forte ligação com o povo Puyanawa. Durante suas visitas, conheceu a indígena Liliane Puyanawa, com quem está noivo. Após o festival, o casal pretende viver na Europa.
As tradicionais pinturas corporais conhecidas como kenes também atraem grande interesse dos visitantes. Produzidas com jenipapo e outros corantes naturais, elas apresentam grafismos que representam a conexão com a natureza e a ancestralidade dos povos indígenas. As pinturas são aplicadas no corpo e podem permanecer na pele entre sete e 15 dias, desaparecendo naturalmente.
O último dia do Festival Atsa ainda contará com atividades culturais e a confecção dos tradicionais kenes, encerrando mais uma edição de um dos principais eventos de valorização da cultura indígena no Acre.
Jurua24horas


