Durante um debate sobre a proteção dos peixes no período do seguro-defeso, o pescador Francisco José, morador de Mâncio Lima, destacou a importância de ouvir quem vive diretamente da pesca
Durante um debate sobre a proteção dos peixes no período do seguro-defeso, o pescador Francisco José, morador de Mâncio Lima, destacou a importância de ouvir quem vive diretamente da pesca na região. Com experiência na atividade desde 2009, ele reforçou que a construção de políticas públicas precisa considerar as realidades locais.
Segundo Francisco, apesar de reconhecer a importância das leis ambientais, algumas regras acabam prejudicando os pescadores. Ele explica que as normas são definidas com base em estudos mais amplos, como os da Bacia Amazônica, mas nem sempre refletem as particularidades de cada região.
“Cada lugar é diferente. Por isso, é importante fazer estudos específicos de cada região, ouvindo quem vive da pesca, para que as decisões sejam mais justas e produtivas”, afirmou.
O pescador também relatou dificuldades enfrentadas neste ano, classificando o período como especialmente prejudicial para a categoria. Ele citou casos de apreensão de redes durante o defeso, inclusive de trabalhadores que pescavam apenas para subsistência.
“Teve gente que perdeu tudo, rede completa. E muitas vezes o pescador nem estava recebendo o benefício do defeso naquele momento. Quem acaba sendo prejudicado é sempre a categoria”, disse.
Outro ponto levantado foi o pagamento do seguro-defeso, que, segundo ele, tem ocorrido de forma parcelada, diferente de anos anteriores, quando o valor era pago integralmente. A justificativa, conforme relatado, seria a falta de recursos.
Francisco também comentou sobre a necessidade de maior controle na emissão de carteiras de pescador, sugerindo limites por colônia para evitar irregularidades e garantir que o benefício chegue a quem realmente depende da atividade.
Por fim, ele questionou a definição atual do calendário do defeso, destacando que o período de reprodução dos peixes pode variar de acordo com a região. Na avaliação dele, em locais como Mâncio Lima, algumas espécies já teriam desovado antes mesmo do início oficial da proibição.
“Talvez fosse o caso de antecipar o período. Aqui, por exemplo, no final de outubro já começa a enchente e o piau desova. A portaria entra só em novembro. Isso poderia ser revisto”, concluiu.
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