Em uma coletiva marcada por emoção, memória e desabafos, o bispo emérito Dom Joaquín Pertíñez afirmou nesta quinta-feira, 02, que a saída da Diocese de Rio Branco, após 27 anos no comando, representa um momento de sentimentos contraditórios entre alívio, saudade e sensação de missão cumprida. As declarações foram dadas em entrevista coletiva nesta quinta-feira (02).
Ele descreveu o período como uma transição difícil, mas já esperada. “É um dia para poder dormir tranquilamente, porque, logicamente, por um lado é deixar esse peso, essa responsabilidade, por outro lado são saudades, são muitos anos e muitas alegrias, são sentimentos muito desencontrados hoje, nestes dias”, pontuou.
Dom Joaquín afirmou que, embora não soubesse exatamente como se daria a saída, já tinha consciência de que ela chegaria em algum momento. “Enfim, tudo chega e eu já sabia que chegaria, não sabia de que forma, mas chegou o tempo, segundo a vontade de Deus e estamos aqui”, ressaltou.
Ao comentar o encerramento da missão episcopal, ele destacou novamente o misto de emoções. “Logicamente as saudades vão ser muito fortes, por um lado a leveza de descarregar o peso, mas por outro lado também a alegria de poder dizer missão cumprida e ficar nas mãos de Deus”, explicou.

Na coletiva, o bispo emérito também abordou questões administrativas e financeiras relacionadas a convênios e repasses públicos envolvendo instituições ligadas à Igreja, afirmando que há dificuldades acumuladas ao longo dos anos. “Bom, isso não depende de nós, depende do Estado, como falei na imprensa, a mesma dívida de hoje, tem dívida acumulada desde o ano 21, ou seja, que vai passando, paga umas migalhas, paga outras migalhas, acumula outro mês, porque a justificativa da Secretaria foi que pagaram 50 milhões este ano, ainda estão devendo 20 milhões, sinal que estavam devendo 70″, destacou.
Ele explicou que os valores dos convênios são elevados e sujeitos a auditoria, mas apontou problemas no fluxo dos repasses. “Por convênio, são uns 10 milhões por mês, que tudo é analisado, avaliado, auditado, tanto por um lado ou por outro, aprovado pelo Ministério, mas o dinheiro sabemos que chega, agora o repasse é diferente, e nos deixa nesta situação muito difícil e inviável hoje, porque o mês passado eram 12 milhões, 10 milhões, 7 milhões, aí a coisa, mas chegou um momento que nossos fornecedores não nos querem vender mais, porque não temos como pagar”, explicou.
Dom Joaquín afirmou que o modelo de pagamentos gera prejuízos financeiros e defasagem nos repasses. “Como eu sempre falei, nós perdemos pelos dois lados, porque uns centavos de faz três anos, nos vão pagar os mesmos centavos, sem juros, portanto, se esses 4 milhões estivessem nos nossos cofres, estaria produzindo alguma coisa, e se nós pagássemos à vista nossos fornecedores, teríamos também um tipo de desconto, então perdemos por aqui e perdemos por lá”, ponderou.
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