Jornalista prestou novo depoimento, e o inquérito passou a ser conduzido pelo Núcleo Especializado de Investigação Criminal.
As investigações sobre o ataque sofrido pelo jornalista e radialista Chico Melo, em Cruzeiro do Sul, tiveram novos desdobramentos nesta sexta-feira, 24. A Polícia Civil do Acre realizou uma nova perícia no local do crime, ouviu novamente a vítima e definiu novas estratégias para a apuração do caso. Segundo a instituição, nenhuma hipótese foi descartada até o momento.
Representando o delegado-geral da Polícia Civil, o diretor do Departamento de Polícia da Capital e Interior (DPCI), delegado Alcino Ferreira Júnior, esteve em Cruzeiro do Sul para acompanhar as diligências. Durante a agenda, ele participou do novo depoimento de Chico Melo e acompanhou os trabalhos da equipe de investigação e da perícia na residência onde ocorreu o crime.
Na manhã desta sexta-feira, delegados do Núcleo Especializado de Investigação de Crimes Patrimoniais (Nepatri) e do Núcleo Especializado de Investigação Criminal (Neic) se reuniram para alinhar o planejamento das próximas diligências. A partir de agora, o inquérito policial passa a ser conduzido pelo Neic.
De acordo com o diretor do DPCI, a motivação do crime será esclarecida ao longo da investigação, com a identificação dos envolvidos e a conclusão das diligências. Ele afirmou que, neste momento, todas as linhas de investigação permanecem em análise.
“Qualquer ataque à liberdade de expressão e ao livre exercício da profissão é um atentado à própria democracia”, afirmou Alcino Ferreira Júnior.
Relembre o caso
O ataque ocorreu na madrugada de quarta-feira, 22, quando quatro homens armados invadiram a residência de Chico Melo, em Cruzeiro do Sul. Segundo o jornalista, os criminosos arrombaram uma janela da casa, o agrediram com socos e coronhadas na cabeça e o mantiveram sob ameaças de morte por cerca de 30 minutos.
Ainda conforme o relato da vítima, os invasores exigiram a entrega do telefone celular e de uma pasta com documentos, entre eles um contrato de compra e venda da Rádio Integração FM, firmado em 2020. O jornalista afirmou que os criminosos não demonstraram interesse em dinheiro nem em outros objetos de valor que estavam na residência.
Após o crime, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso, inicialmente registrado como roubo majorado. O delegado-geral Pedro Paulo Buzolin informou, na ocasião, que essa era a principal linha de investigação com base nos elementos preliminares, enquanto Chico Melo sustenta que o ataque pode ter relação com sua atuação profissional.
MPAC acompanha investigação
O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), que instaurou uma notícia de fato criminal para fiscalizar o andamento das investigações. O órgão solicitou acesso ao inquérito policial, ao boletim de ocorrência, ao eventual laudo de exame de corpo de delito e às diligências já realizadas.
Além disso, requisitou que a Polícia Civil apresente, no prazo de 30 dias, uma atualização das investigações, com informações sobre a identificação dos suspeitos, análise de imagens de câmeras de segurança, possível geolocalização dos celulares levados e demais elementos que possam contribuir para o esclarecimento do caso. O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também acompanha a apuração.



