PF investiga esquema de venda ilegal de arma e fraude em registro em Cruzeiro do Sul

A Polícia Federal deflagrou, na última quinta-feira, em Cruzeiro do Sul, a operação “Ghost Serial”, com o objetivo de apurar a comercialização irregular de arma de fogo e possíveis fraudes

A Polícia Federal deflagrou, na última quinta-feira, em Cruzeiro do Sul, a operação “Ghost Serial”, com o objetivo de apurar a comercialização irregular de arma de fogo e possíveis fraudes nos registros oficiais.

De acordo com o delegado Carlos Henrique Rosa dos Santos, chefe da Delegacia da Polícia Federal no município, a investigação teve início após a análise de conversas extraídas do celular de um denunciante. Nos diálogos, a suposta compradora da arma sugeria a raspagem da numeração, prática que inviabiliza o rastreamento do armamento e facilita sua circulação no mercado ilegal.

“Essa conversa chamou atenção porque indicava a intenção de retirar o controle estatal sobre a arma, o que permitiria que ela caísse em mãos erradas”, explicou o delegado.

Segundo a Polícia Federal, a arma pertencia a um homem regularmente cadastrado como caçador de subsistência, com registro ativo junto à PF. No entanto, ele decidiu vender o armamento sem seguir os trâmites legais exigidos para a transferência, repassando-o mediante pagamento.

Após a venda, o comprador procurou regularizar a situação da arma, momento em que surgiram novas conversas entre as partes. Nelas, o comprador teria orientado o vendedor a registrar um boletim de ocorrência falso, informando o extravio da arma, com o objetivo de inseri-la no mercado clandestino.

Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Em um dos endereços, apenas uma pessoa foi encontrada, e dispositivos telefônicos foram apreendidos para aprofundar as investigações. A intenção, segundo a PF, é identificar se esse tipo de fraude ocorre de forma recorrente ou se se trata de uma ação isolada.

O delegado reforçou que a comercialização de armas de fogo não pode ocorrer de forma direta entre particulares, sendo obrigatório o cumprimento de rigorosos procedimentos legais.

“Vivemos em um Estado Democrático de Direito, onde o controle sobre armas é extremamente rígido. Uma arma de fogo é um instrumento bélico que, em mãos erradas, pode causar graves danos à sociedade, inclusive fortalecendo organizações criminosas”, destacou.

As investigações seguem em andamento para apurar a responsabilidade dos envolvidos e possíveis desdobramentos do esquema.

Juruá24horas

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