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A inauguração do Complexo Industrial do Café, em Mâncio Lima, no último sábado (28), marca um novo capítulo na história do agronegócio do Acre. Reconhecido como o maior empreendimento do gênero em toda a região Norte, o complexo promete impulsionar a economia local e fortalecer a cadeia produtiva do café no estado.
Mas, por trás do avanço tecnológico e das promessas de desenvolvimento, é necessário refletir sobre quem realmente se beneficia com esse novo cenário.
Atualmente, a produção de café no Acre está majoritariamente nas mãos de grandes empresários que já possuem estrutura, maquinário e acesso a crédito. Em Mâncio Lima, os principais produtores são justamente aqueles que têm poder aquisitivo consolidado, o que levanta questionamentos sobre a democratização dos ganhos gerados por esse novo polo industrial.
De forma geral, no Acre, o café ainda é um produto dos chamados “barões do dinheiro”. No entanto, pequenos produtores também buscam espaço no mercado, mesmo enfrentando enormes dificuldades. Sem recursos para grandes investimentos, muitos deles produzem em menor escala, mas com a mesma paixão e esforço.
A esperança é que o Complexo do Café possa, de fato, abrir portas e oferecer suporte para esses agricultores familiares que hoje sobrevivem à margem das grandes políticas agrícolas.
Um exemplo que evidencia essa desigualdade está na produção de farinha, outro produto símbolo da cultura acreana. Mesmo com selo de qualidade e tradição que atravessa gerações, a produção de farinha ainda é feita de forma rudimentar, com pouca ou nenhuma modernização. A maioria dos produtores são famílias humildes, que há décadas mantêm vivo esse saber ancestral muitas vezes sem apoio técnico, incentivo financeiro ou reconhecimento do poder público.
Fica, portanto, o questionamento: será que a modernização e os investimentos só chegam para quem já tem estrutura e dinheiro? Ou será que falta vontade política para incluir de verdade os pequenos na lógica do desenvolvimento?
Enquanto o café ganha holofotes, é preciso não esquecer de quem há muito tempo alimenta o Acre com suor, mandioca e resistência.



