Desigualdade educacional expõe os principais desafios do Acre no Enem

O Acre entrou no Enem 24 pontos abaixo da média nacional, segundo levantamento do Programa PET Economia, da Ufac, que revela não apenas defasagem de desempenho, mas um quadro estrutural de desigualdade territorial e socioeconômica. Os dados mostram um estado onde o acesso à educação de qualidade ainda depende fortemente do CEP, da rede de ensino e do contexto social de cada estudante.

A diferença entre escolas urbanas e rurais chega a 34,78 pontos, refletindo a dura realidade do interior: carência de infraestrutura, longas distâncias, rotatividade docente e poucos recursos pedagógicos. Na outra ponta, as escolas particulares registram média de 598,45 pontos, abrindo 60 pontos de vantagem sobre a federal e mais de 100 pontos sobre as estaduais — uma demonstração clara de como renda e oportunidades moldam o resultado.

O ranking das dez melhores escolas do estado segue o mesmo padrão: oito são privadas e nove estão em Rio Branco, reforçando a concentração da qualidade na capital e o abandono histórico de outras regiões. O cenário mais grave é o das escolas estaduais rurais, com notas até 114 pontos abaixo da média nacional, um nível de vulnerabilidade que exige políticas públicas urgentes e específicas.

Os números desmontam a ideia de que o problema se resume ao esforço individual dos estudantes. O estudo do PET Economia mostra que o aprendizado está diretamente ligado às condições materiais e ao ambiente de ensino, que variam drasticamente dentro do próprio estado. Sem enfrentar desigualdade territorial, infraestrutura defasada e disparidades socioeconômicas, o Acre continuará repetindo a lógica de poucos avanços para poucos.

Apesar do diagnóstico severo, o levantamento também oferece caminhos. A precisão dos dados permite identificar gargalos, definir prioridades e direcionar intervenções. Entre as estratégias possíveis estão investimentos localizados, reforço pedagógico, ações específicas para escolas rurais e garantia de estrutura mínima de funcionamento.

No fim, o Enem funciona como um espelho — e, para o Acre, o reflexo exige seriedade, estratégia e ação. Reconhecer o cenário revelado pelo Programa PET Economia, da Ufac, é o primeiro passo para transformar resultados que hoje dizem menos sobre o potencial dos alunos e mais sobre as condições desiguais em que tentam aprender.

Acreagora

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